Postado em 31/08/2010 na(s) categoria(s) Celinices | 1 comentário
“Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.”
Vinicius de Moraes
Não, eu não estou triste nem melancólica. Este espaço é meu e eu ponho o que eu bem entender…
Postado em 24/08/2010 na(s) categoria(s) Celinices | Nenhum comentário
“Um dia quando eu era pequeno, minha mãe me mandou ir até a padaria. Eu, muito determinado em realizar a tarefa efetivamente, fui determinado a trazer o pão quentinho. Passadas duas horas eu não tinha ainda aparecido e minha mãe mandou me buscarem preocupadíssimos com o meu bem estar. E buscaram pela cidade inteira até que alguém teve a idéia de procurar na tal padaria. Eu fui encontrado sentado nos degraus da padaria olhando para a gente que passava, imaginando histórias para as pessoas. Imaginando da onde elas vinham, o que elas sentiam. Tentando descobrir pelo olhar ou pela posição das mãos o que elas tinham pra contar. Me perguntaram se eu não tinha visto o tempo passar. E eu mais singelamente respondi que esperava o pão sair do forno e que o padeiro disse que isso seria as quatro da tarde.” (Celina Belotti re-contando a história de Mia Couto)
Se eu fosse o Mia Couto eu estaria muito encrencada. Não conseguiria passar um tempão na porta da padaria só olhando pras pessoas. Acho que o que eu gosto tanto em padarias são as histórias que as pessoas trazem com a comida. Talvez eu possa olhar para as comidas e tentar imaginar o que cada uma delas diria… o que cada comida contaria sobre o mundo. E talvez um dia eu venha a entender os comedores de comida, os onívoros humanos… A comida fala de quem come e quem come fala da comida.
Eu sou tão Mia Couto neste sentido, acho que é por isso que ele me inspira tanto.
Só para sair do âmbito subjetivo deste blog nos últimos tempos talvez eu possa dizer que a frase mote deste lindo blog amiguinho é do Mia Couto…
Lembrei hoje desta passagem porque eu estava procurando alguma coisa pra comer depois da aula nos 15 minutos entre uma coisa e outra que eu tinha pra fazer e fiquei com vontade de entender o mundo inteiro a minha volta tão bem quanto eu entendo um bolo de chocolate.
Postado em 17/08/2010 na(s) categoria(s) Celinices | 1 comentário

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
O tempo muda, mas não mudam as cores.
Das feiras da Provence para a Rua Sergipe em São Paulo.
Postado em 20/07/2010 na(s) categoria(s) Celinices, França | Nenhum comentário
Vou contar um segredo pra vocês…
Sabe quando as pessoas falam: “Ai! Paris, pra conhecer essa cidade você precisa de pelo menos um mês, se puder um ano”? Ou então quando você abre o site da revista Caras e tem todas aquelas fotos de celebridades passeando na frente da torre Eiffel ou no arco do triunfo como se fosse a novidade mais glamurosa do mundo inteiro?
Pois é tudo uma farsa descarada. Só precisa de um ano pra conhecer Paris quem pega horas de fila na torre eiffel, passa anos e anos passeando pelo louvre (dentro desse um disponível, claro), ou ainda perde milênios nas lojinhas de souvenir. O mais engraçado é: eu fiz tudo isso antes de entender o por quê exatamente de essa cidade ser um dos lugares mais fascinantes do mundo.
Quem já foi sabe: A coisa mais pentelha de Paris é claramente os amiguinhos vendendo pequenas torres eiffel, todas iguaizinhas. São milhares desses caras espalhados por aí. Juro que as tantas eu tentei matar um deles mas ele nem percebeu. Eles são tão agressivos tentando vender as miniaturas a qualquer preço, literalmente. Outra coisa insuportável são as filas: Quase tão comuns quanto os vendedores. Ah! E é claro tem os turistas, tentando tirar fotos abraçando coisas e inevitavelmente atrapalhando a sua foto artística, ou então todos aqueles tentando refazer os questionáveis passos do Código da Vinci, atrapalhando a sua análise crítica dos quadros de Da Vinci (aliás fora a Mona Lisa todos os outros do pintor que estão no Louvre não recebem atenção nenhuma dos visitantes, chega a ser incrível o quão são menosprezados…)
Sério, acho que um bom jeito desses vendedores ganharem dinheiro em Paris seria padronizar de uma vez por todas as fotos turísticas segurando a torre Eiffel de um modo que ninguém precisasse ficar pensando em como se faz para conseguir o ângulo perfeito, aí é só o cliente ir lá se posicionar na devida posição e tadaaaa a foto sairia “genial”. Claro que não poderia ter fila no oferecimento deste serviço.
O ponto é: Não é fazendo pose no arco do triunfo ou na frente do Sena que se encontra a maravilhosa cidade das luzes (tenho certeza, porém que a ilustre desconhecida Chris Fernandes se divertiu um montão). A verdadeira magia está nos “bobos” (bohemian-bourgeois, burgueses boêmios) parisienses, e do resto do mundo inevitavelmente, que se encontra nas ruas do Quartier Latin, onde vão todos os estudantes, para comer crepe em barraquinhas na rua, cheio de queijo e transbordando de ingredientes engraçados. Ou então na noite perdida nas curvas do Sena onde artistas de rua e músicos de garagem se reúnem de segunda a segunda para curtir um som e aproveitar o silêncio do rio. Eventualmente nesta noite você pode até acabar encontrando um daqueles vendedores de souvenir, fora do ambiente hostil e agressivo da barganha criado em volta da torre eiffel, curtindo um Jazz Manouche pois, como já diria Thomas Dutronc: J’aime plus Paris.
Outra coisa absolutamente fascinante eu diria que é o Sacre Coeur. Hoje eu posso dizer: Sou PHD em conhecer catedrais e igrejas na Europa. E uma das coisas que mais conseguem estragar uma igreja é o turismo ignorante exacerbado. Nada mais frustrante do que uma bélissima igreja ou um coral de meninos assistida por milhares de turistas desrespeitosos tirando fotos e conversando como se fosse uma festinha. Mas existe uma que foge completamente deste estilo; A basílica do Sacre Coeur, onde fotos são deliberadamente reprimidas, e turistas barulhentos igualmente, garantindo o respeito que uma obra religiosa de tal magnitude merece, isso porque ela está no meio de Montmartre, uma das regiões mais simpáticas e bonitinhas da França, mas também mais turísticas.
Quanto a Notre Dame esta traz algo absolutamente único. É o centro da França e o lugar mais visitado da cidade mais visitada da terra. Além de sua importância histórica, se torna também o centro de um mundo. De um universo de pensadores e filósofos que ajudaram a moldar cuidadosamente o nosso jeito de ser. É a personagem principal do romance de Victor Hugo, A Notre Dame de Paris, além é claro de ser o centro do universo gastronômico.
Aliás, isso Paris também tem muito: gastronomia mundial. Ao contrário do que se pensa a capital gastronômica da França está em Lyon. Paris, e seus imigrantes, garantem porém membros de todos os cantos do mundo. E aquilo que eu já citei como um fenômeno parisiense: Em nenhum outro lugar da França você vai achar o crepe vendido na rua para se comer passeando pelas pessoas em ruelas perfumadas de chocolate e Grand Marnier, a sobremesa obrigatória: Crepe doce de licor com chocolate. Ah! Claro, não poderia me esquecer. Chocolate. Paris está repleto destes. De todos os tipos, sabores e formas, tem até chocolate com formato de torre Eiffel.
Por fim, eu preciso é claro não te deixar de mãos vazias, se eu digo “Não vá ao Louvre” é justo que eu dê alguma outra indicação. Vá ao Musee D’orsay a Orangerie e vá também na Maison Victor Hugo. E contra a torre Eiffel eu tenho mais uma indicação: Qual a única coisa que não pode ser vista do alto da torre Eiffel? A própria torre Eiffel. Logo, suba na torre de Montparnasse, mais barata, sem filas, com elevador, pode ser visitada de noite. O que mais você quer? Eu imploro, porém, tente enxergar além da imagem de luxo e sofisticação que às vezes nos faz esquecer daquilo que realmente importa: legitimidade e originalidade.
Logo, termino por dizer: Vá para Paris, descubra seus muitos segredos, estes são os que ela me contou. Esta cidade fala é só parar e ouvir o que ela realmente diz. Porque, como diria este companheiro blogueiro: quem não queria ter Paris pra si?
Postado em 11/06/2010 na(s) categoria(s) Celinices | Nenhum comentário
Aiaiai… chegou aquele dia. Aquele que todos esperávamos. África do Sul e México, hummmm delícia. (noooot)
Tá não, não é bem disso que eu estou falando.
Trata-se daquele: último sábado que eu vou ficar sozinha em casa vendo filmes e comendo sorvete, último dia que eu não vou correr pra ficar gatinha, última vez que eu vou reclamar.
Porque ano que vem!!!!!!! (pausa psicodélica-apocalíptica)
Será tuuudo diferente.
A partir de amanhã eu estarei na caça.
Infelizmente eu integro o seleto grupo de meninas que promete isso todos os anos. Como é de se esperar eu também integro o seleto grupo de meninas que fica sentada na TV vendo filmes muitas outras vezes ao longo do ano depois do dia dos namorados.
Eu estou em um momento nacionalista, brasileiro (e eu juro que isso não tem tanto a ver com a copa do mundo quanto parece). Mas é fato que o dia dos namorados adotado nos EUA é muito mais democrático que o dia dos namorados adotado no Brasil. Veja bem; o dia 14 de fevereiro celebra o dia de São Valentin, velhinho que casava pessoas mesmo quando isso era proibido pelo imperador, e acaba sendo um evento bonitinho que envolve todos os seres humanos da sociedade, mesmo aqueles que não encontraram o pão do seu hamburger ou a colher da sua panela (termo inventado por mim para designar o “menina, você mexe comigo”). Mas o dia dos namorados no Brasil não tem qualquer função aparente a não ser aquela de fazer as pessoas comprarem um montão de coisas para seus parceiros ou ficarem deprimidas em casa comendo chocolate, o que, cá entre nós, não ajuda muito a modificar os prospectos para o ano seguinte considerando a sociedade e blaahh blahhh blahhh.
Por aqui o dia não coincide nem mesmo com o dia de Santo Antônio, dia 13 de junho, o Santo Casamenteiro. Pois é. Enquanto todos os comprometidos estiverem de ressaca no domingo nós, solteiras e católicas, devemos peregrinar até a igreja logo cedo para pedir sorte no amor para os 365 dias que se seguem até o próximo 13 de junho.
Mas não esquenta galerinha, a tia Celina traz a solução para todos os seus problemas: Bolo de santo Antônio Casamenteiro. Nada de negar, odiar ou se revoltar: Tem mais é que deixar os casais se divertirem. Para os que ficam eu recomendo curau, também conhecido como cangica lá ni Pernambuco ou como “o mais puro creme do milho”, tradicional do dia e também essa receita de bolo que a nossa Ana Maria Brega nos oferece, adicionando ainda a receita da simpatia!
Posso também recomendar o sorvete da Labasque de chocolate light e, finalmente, uma série com os meus filmes de foça preferidos:
De Repente é Amor, com o Ashton Kuthcer: muito esperançoso.
Três vezes amor, lindíssimo com o Ryan Reynolds
Diário de uma Paixão, clássico filme romântico um dos mais populares da última década.
Alta Fidelidade, baseado no romance de um dos meus escritores preferidos, Nick Hornby.
Um amor pra recordar, tristíssimo.
Valentine’s day, dispensa comentários.
A verdade nua e crua, fato esse é um bom filme revoltado pra assistir amanhã.
Quatro amigas e um Jeans Viajante, uma boa para lembrar que: amigas sempre superiores a garotos.
TODAS AS TEMPORADAS DE GILMORE GIRLS, Normalmente seria a minha pedida para a ocasião!
Caso não tenha ficado claro eu re-coloco: ironia… ironia… ironia…